Corpo vivo, morto e de animal

Um corpo vivo e um corpo morto, ambos possuem o mesmo número de partículas, qual a diferença relevante?
Um corpo vivo ainda exerce a sua função de complexo de matéria orgânica, um corpo morto, também, uma vez em que toda matéria orgânica tende a perecer e alimentar outras formas de complexos de matéria orgânica. Portanto, tanto o vivo quanto o morto são úteis e importantes para a dança do ecossistema. Ah! Que ganha o ser humano por romantizar as coisas com seus delírios pessoais? E pior: Que ganha por matar em prol de seus delírios pessoais? Às mulas de plantão que ainda se contrapõe à prática de necrofilia, zoofilia e afins, recomendo que façam uso de um microscópio e um bom livro de biologia e em seguida tentem me explicar o fundamento da moralização em cima de tais práticas.
Agora, se consideramos o bem estar do ecossistema uma coisa importante, é milhares de vezes mais correto praticar necrofilia do que cortar uma árvore. Se destruíssemos toda a vida vegetal do planeta, praticamente todas as formas de vida sofreriam graves consequências. Contudo, se destruíssemos todo ser humano do planeta, praticamente nenhuma forma de vida sentiria diferença. Primeiro porque as espécies vegetais são demasiado importantes para o equilíbrio do ecossistema, incontáveis vezes mais importantes que toda espécie animal.
Concluímos, portanto, que se consideramos o bem estar do ecossistema – e, consequentemente, o nosso próprio bem estar – uma coisa importante, então as espécies vegetais são mais importantes que as animais.
Costuma comer um boi vivo? Eu também não. É preciso mata-los, sem dó e nem piedade, estraçalha-los, limpar o recinto todo sujo de sangue, jogar as tripas e afins fora e pendurar a carne como produto de comércio. Ainda acha imoral praticar sexo com animais? Zoófilos não costumam matar o seu animal doméstico, pelo contrário, basta uma breve olhada no genital do animal para ter a certeza de que ele está se divertindo muito. Não seja um  moralista nonsense.

Falácia da linguagem



Nada é. Pois ser é um conceito proveniente da imaginação humana. O universo apresenta-se implacavelmente indiferente. Não seja burro! Não pense que faz sentido romantizar as coisas. Olhe para o monitor, é apenas matéria e não um objeto de valor, nem mesmo um objeto, nem mesmo matéria! Atribuir valor é atribuir imaginação ao imaginado. Livremo-nos da falácia da conceituação. A verdade só é dita quando não se diz nada.

O dilema humano



Não há um fator determinante para julgar o certo e o errado. Não faz sentido julgar fazendo uso da ética aristotélica, isto é, julgar a situação não mediante a um fator único e pré-estabelecido, mas sim considerando o contexto em que se está inserido, isto é, a moral em que se está inserido. Ora, não há um fator determinante para agir mediante a isto, também. Se minha vontade não condisser com a moral do contexto, terei um problema. Embora a vontade não tenha um fator determinante, também.
Para desconstruir a tese de que se deve agir de acordo com a vontade – pois a de que se deve agir de acordo com a moral é ridícula e não merece atenção, qualquer um que tenha lido alguma obra de Nietzsche, aliás, que tenha compreendido alguma obra de Nietzsche, sabe disto -, precisaremos explicitar o que é a vontade.
Fazendo uso de uma ótica evolucionista, temos a vontade como um mecanismo determinante da ação de um complexo de matéria orgânica, e é esta que irá fazer com que o organismo execute a sua função. Portanto, a vontade surge como um mecanismo ”robotizante” da função de complexos orgânicos. A vontade é uma ferramenta espetacular para garantir que determinada espécie prossiga com a função adequada que garanta sua sobrevivência e progressão no ecossistema. O homo sapiens possui capacidade de analisar, prever e imaginar relações de causa e efeito, nisto, ele encontra-se apto a buscar as razões da vontade. O homo sapiens possui capacidade de imaginar e idealizar, nisto ele encontra em seus devaneios coisas que empobrecem sua relação com o mundo físico, isto é, o mundo físico comparado às suas projeções de algo ideal torna-se matéria fecal. Através do próprio sentimento que impulsiona a busca pelo bem estar individual, o indivíduo desta espécie vê-se desejando que o mundo fictício de seus devaneios sobreponha o mundo físico.  Contudo, sua capacidade de estabelecer relações de causa e efeito não permite que ele simplesmente passe a acreditar que tal mundo fictício seja real, então ele passa a procurar algum resquício de sentido lógico para fundamentar a existência de seu mundo ideal. Por vezes, a crença na existência deste mundo ideal faz o indivíduo humano negar as vontades do corpo, que outrora foram o fator determinante de sua ação, permitindo que exista apenas uma vontade: A de que tal mundo ilusório fosse real. Isto leva o indivíduo à fossa do idealismo ascético. Mas, falávamos sobre a fundamentação da vontade, certo? O indivíduo racional, portanto, pode fazer com que seus ideais e imaginações sobreponham todas as vontades, com exceção de uma, a vontade de que o mundo fictício seja real e frente a esta vontade, faz curvar todas as outras. Que animal estranho este que ousa interromper o processo determinante evolucionista em prol de crenças imaginárias! Qualquer verme sabe que ideais ascéticos são uma apologia à morte e a ausência de reprodução e, portanto, uma estrada para a extinção. Assim, todas as religiões tornam-se doenças prejudiciais para o bem estar da espécie humana, uma falha evolutiva que o tempo se encarregará de eliminar. Podemos provar historicamente que religiões são a principal motivação de guerras e, consequentemente, mortes. Por vezes direta ou indiretamente. Há períodos em que fora utilizada como ferramenta do estado para justificar a guerra. Ora, em que se apoiaria um governante para justificar um massacre “santo” se não pudesse utilizar da crença irracional? Afinal, a crença irracional justifica tudo para uma população de aberrações ignorantes. Talvez a espécie humana não se encontrasse em declínio, rumo à autodestruição se nunca tivessem permitido que o desejo pela imaginação substituísse o mecanismo natural de ação, o instinto.
Através do uso da noção de causa e efeito, concluímos que a vontade é um mecanismo determinante e através do processo imaginativo podemos substituí-lo. Há um dilema, portanto. Deixaremos que nossa vontade nos guie ou elegeremos uma imaginação para que seja determinante de nossa ação? Ambos impossíveis, desculpem-me! Por vezes surgirá um indivíduo que irá preferir um e não outro, aí surgirão os conflitos e guerras sangrentas. Temos aqui a origem de todo conflito humano com a sua própria espécie, o dilema razão e instinto. Conciliar ambos? Não seja burro! Querendo ou não, a vontade algumas vezes não irá condizer com a razão e vice-versa, sendo isto motivo de frustração para o indivíduo humano. Queremos aqui encontrar um fator verdadeiro e útil, em que se resume toda a história da filosofia? Conciliar seria, por vezes, ficar frustrado em função de um e por vezes em função de outro.
Em hierarquia, a razão vem depois, surge como uma ferramenta para melhorar o desempenho da vontade. Contudo, através dela surge a necessidade de fundamentar a vontade – até a vontade – através de uma relação de causa e efeito. Descobrimos, após um longo período de reflexão, que não há um fator que fundamente a vontade, e tão pouco as crenças. Como poderemos agir, então, se necessitamos de um fundamento, mas entendemos que não há? Niilismo! Ou talvez não. Se deixarmos de agir por entendermos que a verdade é que não há nenhum sentido na ação, o niilismo se tornaria um ideal ascético que priva a vontade natural do corpo em função da verdade. E, se fizéssemos tal coisa, estaríamos partindo do pressuposto que o niilismo é a posição ideal, o que é um princípio moral. Não há como não agir. Tudo é vontade de poder. Para deixar de agir, a coisa teria que se tornar atemporal, o problema é que um fator fundamental para algo existir é a temporalidade. Logo, devemos entender o niilismo como a ciência da ausência de sentido e não da não ação em função da ausência de sentido.
Sendo impossível deixar de agir e impossível não procurarmos um fator fundante para a ação, em virtude da nossa carga evolutiva e entendendo que não há um fator determinante da ação – embora seja impossível para nós pararmos de buscar um - não posso dizer “foda-se, vamos aderir uma crença qualquer então” e nem “vamos eliminar todas as crenças, pois isto tornará o mundo melhor” já que ambas as coisas seriam moralizar. Suspendo meu julgamento. Não sei de nada.
O ser humano é um mecanismo orgânico que se caracteriza por este dilema, sua história é triste e cheia de frustrações (aos olhos da moral-pré-estabelecida).

Doente mental. Diagnóstico: Capitalista


Embora o intuito da psiquiatria seja – ou pareça ser – trazer as pessoas ao seu estado comportamental padrão, de modo a permitir que elas se adequem ao convívio social, ela, a psiquiatria, é uma maneira de emudecer as reações do organismo humano em resposta ao meio – salvo em casos em que a doença é hereditária -, sem que elimine a causa em si. Os transtornos mentais são os grandes males de nossa era, a psiquiatria medica a cada dia um número cada vez maior de pessoas. Contudo, se a psiquiatria é um método de emudecer os efeitos do organismo decorrentes da vivência do indivíduo – e, portanto, útil, até certo ponto -, é importante desnudarmos a verdadeira causa dos transtornos psiquiátricos, se queremos evitá-los, ao invés de remediá-los. A compreensão da necessidade de encontrarmos sua raiz é fundamental, pois se as coisas prosseguirem na via em que estão, teremos um planeta em que toda a população necessitará de drogas psicotrópicas.

Individualismo, propriedade privada, sistema monetário e individualismo.

Repeti o termo individualismo intencionalmente. É certo que o comportamento natural do ser humano para com o próximo é o de cooperativismo. Se nossos ancestrais tivessem um comportamento de individualismo, não teríamos chegado a tal patamar do processo evolutivo, pois, pois exemplo, só unindo-se contra um inimigo em comum, os caçadores e coletores da América do Norte poderiam caçar suas presas que eram consideravelmente maiores que eles próprios. Para o infortúnio da harmonia entre as comunidades humanas, em decorrência à variabilidade genética, alguns seres humanos nascem com comportamentos nada cooperativistas, doença que o impede de compreender que é possível – e mais eficaz – conseguir um estado de bem estar individual através do trabalho em grupo e da cooperação. Estes indivíduos passam a ver a si próprios não como parte integrante de uma coletividade em busca de um objetivo maior, mas como seres individuais e prepotentes. Com relação ao próximo, passam a agir com extrema apatia, aderindo à crença de que eles são os únicos que precisam adquirir o bem estar individual. Em suma, o entendimento de mundo que o portador deste transtorno tem é limitado. O caráter que esta doença adquire – e suas consequências – são, frequentemente, mais catastróficos que os da psicopatia ou esquizofrenia, pois o seu portador, apesar de perder a noção de ética e virtude, sabe dissimular bem. Comumente colocam a verdade de cabeça para baixo em prol de seus interesses particulares, mesmo que isto acabe por prejudicar um grande número de pessoas.

Através da manipulação e distorção das verdades, o portador do transtorno consegue mobilizar um grande número de pessoas e criar um sistema a seu modo, um sistema que beneficia a si próprio. Como se não bastasse, o portador trabalha na divulgação de seu padrão de comportamento doentio, alegando que o mesmo é o único e correto padrão de comportamento existente.

Neste ponto, a cultura é que adoece. Temos uma cultura enraizada no individualismo proveniente do transtorno mental de um indivíduo ou outro. A população, em sua totalidade, passa a enxergar uns aos outros como seres individuais. Desacreditam – e nem sequer lembram – que o seu potencial é incontáveis vezes maior quando somado ao dos outros.

Diferente dos outros transtornos mentais que em sua maioria têm um caráter maléfico apenas para o indivíduo portador, este transtorno ameaça a sobrevivência do ser humano como espécie.

Masoquismo ético


Frente ao que te leva constante e lentamente à decadência, vê-se obrigado a apunhalar este monstro e arrancar dele a vida de uma só vez! É preciso ter pernas longas para transgredir grandes obstáculos. Escorre o sangue das feridas que ganhara ao cair, não seria este um motivo para se refugiar na decadência? Não seria este um motivo para se entorpecer? Pois doem menos as feridas enquanto te distrai. Contudo, quão mais doloridas as feridas, mais deve orgulhar-te! Pois a dor é diretamente proporcional ao tamanho do obstáculo que superou. Ora, não há dor quando salta de um pequeno obstáculo, simplesmente porque tal superação foi insignificante. Então, te acostuma com a dor, faz de sua intensidade o reflexo da significância de tua vitória!

O ser e o limite



Enquanto através de um processo lógico de racionalização e fazendo uso da ferramenta linguagem tendemos sempre ao reductio ad absurdum¹, para definirmos o que é², precisamos aprender a lidar com outro meio de conceituar o universo.

A linguagem, maneira de atribuir símbolo às coisas de modo a que possamos compreendê-las e torna-las práticas, jamais irá reproduzir o que a realidade é de fato. Sua função é traduzir a realidade a uma coisa com a qual possamos lidar.

A nossa forma de compreender as coisas, tendo sida adquirida ao decorrer do processo evolutivo, permite-nos sobressair perante as outras espécies e sobreviver nos ambientes mais hostis de nosso pequeno planeta, contudo, não nos permite entender questões como a possibilidade de uma origem ou a de um universo cíclico, pois como já dissera, o fim único para o nosso modo de raciocinar é o reductio ad absurdum.

Vamos analisar as formas como nossas mentes permite-nos sugerir a existência do universo, invocando Górgias com seus admiráveis jogos de conceitos.

É possível que haja uma origem? Creio que não. Pois do nada, nada surge. Sabemos que o universo, tal como o conhecemos hoje, se originou do Big Bang, mas o Big Bang foi nada mais que um acontecimento cosmológico no espaço, não foi a origem, foi uma transformação. Conceitua Lavoisier, “na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Esta frase onde traz a ideia de conservação da matéria é genial por um motivo: Sabemos hoje que a menor partícula em que ainda pode-se considerar matéria é um átomo, desunindo os constituintes do átomo, temos energia. Não se pode sumir com a energia, ela sempre estará aí, mesmo que ela percorra os caminhos incógnitos de um buraco negro, ela não deixará de existir no espaço. Logo, a matéria é eterna – ou ao menos é isso o que conclui o nosso vão pensamento -, nolens volens³, este é o limite em que podemos chegar, eternidade é reductio ad absurdum. Se a matéria é eterna, como poderia ela ter tido uma origem? Pois se tivesse, seria limitada no tempo, deixando assim de ser eterna. Por outro lado, não há como ser eterna, pois tudo o que é, ocupa lugar finito no tempo e no espaço.

Em suma, a lógica e a razão não condizem com o que presenciamos.

A subdivisão infinita do espaço demonstra bem isto.

Tanto Zenão quanto Heráclito estavam corretos em suas afirmações. Contudo, deve-se compreender Zenão como um pensador teórico e Heráclito como um pensador prático. A filosofia de Heráclito representa a realidade do modo como de fato ela é, mas se partirmos para a racionalização da mesma com Zenão, será encontrado várias contradições. Devo também dizer que os dois pensadores não tratavam da mesma questão. Enquanto Heráclito partia do pressuposto que a realidade é e se dava o trabalho de interpretá-la, Zenão contribuiu em um andar a baixo, o da metafísica. A ciência precisa partir do mesmo ponto que Heráclito para poder funcionar. Não faria sentido inventarmos tecnologias e desvendarmos o universo se partíssemos da possibilidade de o mesmo não ser real. Portanto, a ciência se apoia em um pressuposto metafísico. Mas não se pode dizer que a ciência se apoia nos pilares das mentiras e superstições, como fariam os mais céticos no assunto – ou os que acreditam na hipótese da Matrix -, pois não sabemos se esta realidade é, de fato, irreal. É, portanto, demonstração de honestidade intelectual – consigo mesmo - suspender o juízo.

Não creio que o Homo sapiens vá evoluir, e sim, impulsionar a própria evolução – isto se nossa capacidade de criar armas de guerra não evoluir mais rapidamente que nossas ciências médicas -.

É de fato necessária uma evolução no intelecto humano, pois já beiramos os limites do saber, os limites do nosso saber.

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1. Redução ao impossível.

2. Ser, existir.

3. Querendo ou não.