Blog imoral


Meu blog ainda fará sucesso, eu juro! Só espere mais uns cinquenta anos.

Ninguém entende o que escrevo aqui. Pois bem, desejo a todos uma bela dor de barriga. No futuro vocês com certeza usarão meu blog para me difamar.
“Oh! Como é louco! Que coisas absurdas ele escreve!”
É necessária uma condição para que alguém ache este blog imoral: É preciso ser um porco moralista, impregnado de idealismo e crendices ilógicas. Se o leitor se encaixa neste perfil, sinta-se seguro para criticar.
Lembre-se: Tudo o que escrevo dispensa uma visão moralizada. Faço uma atividade descritiva, não avaliativa. É natural que em um mundo atolado em ignorância, o leitor pense que as regras morais são verdades absolutas. Neste oceano de merda, nunca estará a nadar sozinho. Desculpe! Prefiro nadar em águas limpas.

Filosofar pra quê?


Estamos filosofando há dois mil e quinhentos anos e os seres humanos ainda estão matando uns aos outros, ainda há pobreza, mortes arbitrárias, religião, ignorância. O animal humano está sempre em conflito, sua história é marcada por um rastro de sangue. Já experimentamos todas as formas de remediar, mas nada sobrepõe o seu estado natural, estado este caracterizado essencialmente pelo conflito com os indivíduos da própria espécie.

Fezes e interesse


A tela branca do Word não inspira boas ideias, portanto, vou escrevendo sem compromisso. Pegue um litro de vodka e divirta-se.
Não me sinto bem escrevendo a partir de sentimentos subjetivos. Oh! Estou fazendo isto agora. Gosto de frieza, imparcialidade e objetividade. Foram-se os tempos em que escrevia poesia, ele já não é um idealista reprimido, não! Cá dentro é sujo e caótico de mais para ser exposto em papel límpido. Dilema, angustia, frustração, raiva, incoerência. A poesia é só uma modalidade de colocar para fora. Os acadêmicos têm uma maneira ainda mais obscura de fazer isto, de modo que não seria estranho se alguém como eu, através de uma argumentação lógica, defendesse o assassinato e o suicídio. Erudito, intelectual, artista, todos angustiados enrustidos. Se for pobre, cria teses em defesa de políticas de esquerda. Se for rico, cria teses em defesa de políticas de direita. Se for negro ou homossexual, cria teses contra o preconceito. Se for fraco, critica o forte. Se for forte, critica o fraco.
Há o desejo pessoal, há o meu contexto social, há os meios pelos quais através do meu contexto social conseguirei atingir o meu objeto de desejo.  Oh não! Os fatos vão contra o seu sistema de crença pessoal, cujo está diretamente vinculado ao seu emocional, fazendo assim com que se sinta mal. Desculpe.
Definir e falsear, ambos sinônimos. Não percamos tempo com as coisas humanas. O trabalho taxonômico é bom, quando se parte do pressuposto que a continuidade da espécie é algo bom. Não há maior incoerência lógica do que considerar a sobrevivência da espécie algo bom. Bom é dar um peito e cagar nas calças, é quando se tem contato através dos sentidos com substância tal que está sempre em você, mas ignora. Este é o analfabeto científico. Os sentidos não nos permitem ver ondas de rádio, mas podemos presenciá-los através da técnica. Assim, estamos cientes de que existem ondas de rádio. Através da técnica, podemos provar que a merda existe, mesmo antes de sair da bunda, mas parecemos não estar – ou não queremos estar – cientes disto, pois se ficarmos, isto terá consequências éticas. A técnica é o sexto sentido, há algo patológico se não a usa para entender o universo – ou a usa parcialmente -. Loucura é só um dos incontáveis estados de variações comportamentais. Pode-se escrever um tratado filosófico a cerca das consequências éticas em decorrência à consciência das fezes no corpo. Pois bem! Passaram-se milênios a escrever da besta humana, está na hora de escrever a cerca de assuntos de maior relevância. Escrevamos, portanto, sobre fezes.

Amor platônico


Quando mergulho em teu olhar sinto-me imergir no ventre da escuridão. Teus cabelos negros, tua face branca, tudo em ti é símbolo de perfeição. Ao aproximar meus lábios da face tua, uma legião pulsa em meu coração. Uma legião de nobres sentimentos. Ah! A vida basta a si própria, vivendo em tua ilusão. Não.
Necessidade de amar precisa ser urgentemente abolida da espécie. Matemo-nos, amantes.

Vida

Excluí o conteúdo da postagem, muito rico pra ficar nadando por aí. Se copiou, publique um livro.

Sopa cultural


Basta observar uma fotografia da Via Láctea para entender que entre a filosofia e brincadeiras de criança, não há diferença relevante, assim como não há entre quaisquer coisas humanas. Que loucura! Criamos tantos tabus a nível social, partindo do pressuposto de que existe uma verdade universal, pois a única razão para defender algo é considerar que este algo seja ou esteja apoiado em uma verdade universal. Que é verdade, se não outra brincadeira imaginativa dos macacos da Via Láctea? Humano não é um animal racional, mas sim um animal cultural. A cultura na qual o indivíduo foi criado o impede de expandir a mente a novos horizontes. Pode-se fazer, no máximo, uma abstração dos elementos culturais vigentes e assim dar origem a uma aberração, a qual os macacos chamam de inovação.
A cerca da origem dos elementos culturais e artísticos atuais, nada mais são que uma abstração da abstração de uma linhagem de abstrações que, a início, surgiram a partir de elementos culturais que, por sua vez, surgiram a partir da necessidade natural. A capacidade racional, por vezes, tende a remover a sujeira dos elementos morais e culturais imaginativos e levar o macaco ao vazio, por isto o desenvolvimento da cultura não é somatório.
Simplificando, surge a cultura respondendo às necessidades naturais e a partir disso surgem as abstrações destes elementos. Uma vez ou outra a razão questiona-se a cerca da validade destes elementos e remove parte deles, hora substituindo por outros que tenham um fundo racional – só o fundo -, hora deixando o ambiente isento dos velhos elementos e dando abertura para a criação de novos, a partir de abstrações.
É natural que um pensador ou cientista sinta-se no ápice do que se pode entender, afinal, para este indivíduo o limite de entendimento é exatamente este em que se encontra, pois é delimitado pela cultura. Não se pensa fora da cultura. Quando um indivíduo se destaca, é porque abstraiu elementos da cultura que ninguém havia pensando antes em abstrair, chamam isto de inovar. Uma criança sabe que cortar a Mona Lisa de seu retrato e colar em cima da fotografia de um cavalo não é inovar.

Amor fictício

 
Em prantos, dou adeus à existência,
Que de nada me serviu.
Que, tempestuosa, levou-me à demência,
E de minha mágoa sorriu.

Sempre que almejara a morte
Tu, anjo de meu sonho valoroso!
Cicatrizou-me o profundo corte
Que me causara o flagelo amargoso.

Se choro, é por partir dessa existência
Sem ter tocado os vermelhos lábios dela
Que semelhantes ao líquido da essência
Forçavam-me a viver, viver por ela!

Peço, anjo meu, que encontre o defunto
E que a ele dê o beijo que sonhei
Para que descanse, de ti estando junto,
E lembrar que nesta vida eu amei!


John Henrique – 30/05/11 02:00