Tornar-se rico sem ser rico



As portas estão fechadas. Todos os meios para alcançar a riqueza monetária necessitam que já haja riqueza. Bem, quem irá perfurar esta camada impenetrável? Não seja idiota, esperança é ignorar as probabilidades e o provável é que você morra de maneira insignificante, afinal, você é só outro saco de bosta. Ora, que culpa tenho eu se a verdade não soa bem aos teus ouvidos? Quisera eu que a verdade fosse como a Nona Sinfonia, mas meu querer não move uma agulha. Tu há de culpar alguém, afinal, tua carcaça humana não consegue lidar com a culpa. Quem inventou este jogo?! Ah! Não me lembro de ter aceito jogar: eis que a vida é tirana. Teu consentimento é irrelevante.

Mass Effect e a Tragédia




O texto a seguir contém spoiler, mas não se preocupe! Você não entenderá nada de qualquer maneira.
Se ao esquematizar o enredo, o objetivo da Bioware era popularizar o jogo, custe o que custar, eles foram muito felizes nisto. Em Mass Effect II já é perceptível o uso intencional da Tragédia. Durante o jogo os laços entre o jogador e personagens são fortalecidos, cada vez mais. No final, de súbito, eles são rompidos, inevitavelmente e contra a vontade. Em Mass Effect III é ainda mais frequente o uso da Tragédia, e agora com uma trilha sonora épica e extremamente marcante. No final, não há vitória, só há derrota e perguntas sem respostas. Como esperado, isto gerou revolta, protestos e tristeza. Todos se viam desesperados encontrando motivos para denegrir o encerramento do jogo - mesmo que tais motivos não fizessem o menor sentido -, convertendo a tristeza em raiva e canalisando para algum lugar, qualquer lugar. Não haverá a supremacia do herói intergalático desta vez.
A vida é repleta de tragédias, de modo que ficamos irritados ao encontrá-la até mesmo nos refugios.
Do ponto de vista da psicologia, da física, antropologia e biologia, a trilogia é genial. De um ponto de vista emocional, ela é perigosa. De um ponto de vista histórico, ela reflete um dos temores de nossa época: o medo do que tão acelerada evolução tecnológica poderá trazer. Os Reapers nada mais são que os responsáveis pela “purificação”, pois com a tecnologia vem o Caos. Illusive Man o sabia muito bem, e sabia que a única saída era o controle. Illusive Man foi o último suspiro de esperança: com ele morre a civilização pelas mãos daquele que nada compreende. Se fosse Shepard um problema, o teriam controlado de antemão, como foram obrigados a fazê-lo com Illusive Man. Bem, Shepard é o herói, o herói dos Reapers, o inimigo da civilização. Mais trágico que a morte dos amigos é o fato dele não ter se dado conta. Em suma, a tragetória da aventura consiste em suceder com os objetivos prévios dos Reapers.

Lucidez


A lucidez é diretamente relativa à quantidade de certezas que se tem. Contudo, estar certo sobre nada não implica em agir como se nada fosse certo, agir pressupõe certeza. Ou se vive certo sobre algo - e na ignorância - ou se vive como se algo fosse certo - pois nada é, tão pouco isto é.

Metafísica da História



Dizem haver algo cujo chamam História, e que pode-se traçar seus movimentos e tendências. Dê-me uma porção de história e eu direi do que ela consiste. Conceito abstrato, não verificável, logo, descartável. Progresso é só outra mentira cristã – e mentira cristã é pleonasmo.

Sócrates, o feio



Porque é natural voltar-se à razão quando é desprovido de beleza. Não obstante, o instinto tirânico impele outrem à norma particular, à regra de endeusamento da razão. Bem, para conservar-se a si próprio, quando não se é adaptado, é preciso adaptar o meio.

Teletubbies


Na verdade, Teletubbies é uma crítica à sociedade atual, que engole coisas fúteis e infantilizadas através dos meios de comunicação; eis o motivo de eles terem uma antena na cabeça e uma TV no lugar do aparelho digestório, onde são exibidos vídeos de crianças fazendo coisas do cotidiano. Além disto, há a voz irritante no alto falante avisando a hora de começar e a hora de terminar, característica típica da rotina dos trabalhadores nas indústrias. Teletubbies dá margem para refletirmos sobre a direção em que estamos levando a nossa civilização. Pense nisto, amigo, afinal, o sol é uma criança e está rindo dos nossos atos atrapalhados.

Adendo (03-06-12): Seus burros, neste trecho eu só estou tirando sarro da prática de "encontrar chifre em cabeça de cavalo", não é possível que tenham levado a sério.